//Maiores empresas de recrutamento firmam pacto com Ministério Público do Trabalho para contratar mais jovens negros

Maiores empresas de recrutamento firmam pacto com Ministério Público do Trabalho para contratar mais jovens negros

Meta é ampliar em 30% a entrada de estagiários e trainees

O Ministério Público do Trabalho em São Paulo assinou um pacto com algumas das maiores empresas de recrutamento do país para aumentar a contratação de negros para vagas de início de carreira como estágio e trainee. Entre as signatárias estão 99jobs, Empodera, CIEE, ID_BR (Instituto Identidades do Brasil), Cia de Talentos, Nube e EmpregueAfro.

O Pacto – que faz parte do Projeto Nacional de Inclusão de Jovens Negras e Negros – é coordenado pela procuradora do Trabalho Valdirene Silva de Assis, desde Julho deste ano, e já teve a adesão de agências de publicidade e escritórios de advocacia.

A meta, para dois anos, é aumentar em 30% as contratações de jovens negros nas empresas. Hoje, menos de 5% dos cargos executivos nas 500 maiores empresas do país são ocupados por negros, segundo o estudo do Instituto Ethos no qual o MPT-SP se baseia.

De acordo com Valdirene Silva de Assis o pacto não tem caráter coercitivo e, sim, atua no sentido de unir diversos setores e agentes sociais para que possam pensar e atuar juntos em estratégias para fomentar ações afirmativas para esse público, que incluem desde cursos de capacitação, até rodas de conversas em universidades ou programas dirigidos para os jovens negros.

“Estamos criando um terreno bem pavimentado, integrando centenas de empresas, entre outras pessoas jurídicas de direito público e privado, para que a mudança se erga de maneira sólida e duradoura. Precisamos ver as jovens negras e os jovens negros ingressando no mercado de trabalho. E, nesse caminho, os processos seletivos de porta de entrada nas empresas são essenciais para o nosso projeto e para mudar a cultura de discriminação que existe no país”, diz Valdirene.

Du Migliano, co-fundador da 99jobs, HRtech que trabalha com ações afirmativas para públicos minorizados, acredita que auxiliar as organizações a priorizar a diversidade vai potencializar os efeitos do Pacto. “Vamos usar nossa curadoria de conteúdo, e outros diferenciais como a tecnologia avançada e nossa expertise em criar processos customizados, a fim de contribuir com esse projeto”, ressalta.

Como programas idealizados pela própria 99jobs, cita-se o Melhor Estágio do Mundo, que oferece um estágio no período de férias com job rotation e desenvolvimento acelerado específico para a contratação de negros (que está em sua 3ª edição), além da Comunidade do Afronta, onde são divulgadas oportunidades de vagas para esse público, e da iniciativa “Trampa Comigo” em parceria com o ID_BR, que teve início em agosto no Fórum Sim à Igualdade Racial 2019, com a oferta de 45 vagas dirigidas para negros.

“Neste último, a lógica da seleção foi invertida e deixamos as empresas contarem o que elas têm feito para a inclusão de talentos negros entre seus colaboradores. Assim, os jovens se transformaram nos protagonistas do processo, avaliando se teriam interesse ou não em trabalhar naquelas organizações. Saber a opinião deles também é importante para as empresas repensarem como estão atuando com este público”, conta Migliano.

Durante a reunião no Ministério Público do Trabalho, outros programas foram destacados, como o Conexão realizado pela Comunidade Empodera, que viabiliza encontros com empresas para que os jovens negros expliquem quais são os desafios que enfrentam ao procurar emprego no país. “Essa conscientização de gestores é necessária pois, muitas vezes, falta compreensão sobre as formas nas quais o racismo de manifesta”, diz Ana Minuto da Empodera.

Felipe Oliveira, do ID_BR, afirma que contribuir com o Pacto de Inclusão é extremamente importante, e que as empresas necessitam aprimorar o ambiente corporativo cada vez mais, no sentido de respeitar a diversidade, desenvolvendo a empatia com as lideranças, gerando o engajamento desses líderes dentro dessa temática, para que o assunto “diversidade” se torne, de fato, um pilar estratégico do negócio, com autonomia e independência.